sexta-feira, 10 julho 2020

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Covid-19/Fogo: Soldifogo Cooperativa atribuiu crédito a mais de 150 criadores de gado

A Soldifogo Cooperativa, instituição de micro-finanças de poupança e crédito para inclusão social, atribuiu, nos últimos meses, créditos “em condições favoráveis” a mais de 150 criadores de gado para os apoiar no salvamento dos seus efectivos.

O presidente do conselho da administração da Soldifogo Cooperativa, Manuel da Luz Alves, em entrevista à Inforpress, indicou que a sua instituição já atribuiu cerca de 12 mil contos em crédito para criadores de gado, mas também para empreendimentos com pessoas que perderam emprego e rabidantes que não tinham actividades dinâmicas e que perderam rendimentos, e o valor pode aumentar nos próximos tempos.

Manuel da Luz Alves destacou que só para os criadores, de entre os já beneficiados e os pedidos pendentes e que serão atendidos nos próximos dias, o número oscila entre 150 e 200 criadores.

O crédito é concedido “em condições favoráveis” com um período de carência de quatro meses e com isenção no pagamento de juros durante esse período, devendo a amortização do crédito iniciar a partir de 30 de Outubro, permitindo assim “salvar os seus animais e restaurar os seus negócios”.

O responsável de Soldifogo Cooperativa avançou que a abordagem feita demonstra existência de abandono deste sector, cujos criadores deparam-se com falta de pasto, sobretudo na zona sul da ilha, e que as autoridades locais “não podem assistir com passividade” o ataque aos efectivos dos criadores por cães vadios.

“Nestes últimos dias, grupos de cães aumentaram o ataque a cabras e ovelhas, a dizimar as apostas nos negócios e no empreendedorismo, frustrando a esperança das pessoas, criando prejuízos avultados e desânimos”, referiu Manuel da Luz Alves.

Para o mesmo, mantendo este cenário, os criadores terão dificuldades em satisfazer os compromissos, enquanto outros equacionam desistir de apostar na pecuária, não só na zona sul, como também em outras localidades do município.

O sector pecuário sustenta as famílias e a economia da ilha e garante fornecimento de derivados de animais às demais ilhas do País, referiu o responsável da Soldifogo Cooperativa.

O mesmo indicou a ilha tem hoje “grandes potencialidades” neste domínio, permitindo ter agricultores e criadores organizados e formalizados em torno do sector, que ultrapassa as fronteiras da ilha, como por exemplo as unidades de transformação de queijo e de outros produtos da pecuária.

Como forma de evitar mais prejuízos aos criadores, Manuel da Luz Alves observou que as autoridades devem encontrar formas para ultrapassar a situação de cães vadios, abrindo um período de três a seis meses para localizar eventuais donos desses cães, se existirem, e depois avançar com a eliminação dos mesmos.

Este propõe ainda protecção e salvamento do património em gado caprino existente, o que, segundo o mesmo, significa “salvar as famílias, as empresas e unidades de produção que existem na ilha”, tendo sempre em atenção a situação do mau ano agrícola e da pandemia.

A mesma fonte indicou ainda que há centenas de pessoas que não são criadores ou agricultores, mas que estão ligadas a estes dois sectores de actividades, através da comercialização, transformação e distribuição dos produtos pecuários na ilha do Fogo e fora dela, que podem perder o rendimento com a perda dos animais dos criadores por acção directa dos cães vadios.

“Se o ataque dos cães vadios continuar, significa que o projecto vai abaixo e os criadores não poderão satisfazer os seus compromissos com o crédito, que é concedido, praticamente com base na fiança moral, entendimento com as associações e conhecimento das pessoas, porque todos não têm condições de apresentar garantias”, referiu Manuel da Luz Alves.

Inforpress/Fim

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