quarta-feira, 03 junho 2020

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Responsável pelo incêndio no perímetro florestal de Monte Velha será responsabilizado – edil mosteirense 2

O agricultor que na quarta-feira promoveu queimada na sua parcela agrícola e que terá originado o incêndio no perímetro florestal de Monte Velha já está identificado e será responsabilizado, defendeu o presidente da Câmara Municipal dos Mosteiros.

Carlos Fernandinho Teixeira, que se deslocou na manhã de qquinta feira ao perímetro florestal juntamente com outros responsáveis para avaliar os estragos, avançou que neste período do ano, há sempre tentação dos agricultores para fazerem queimadas nas suas propriedades agrícolas, mas adiantou que é preciso que haja mais responsabilidade.

Neste caso em concreto, segundo disse, a pessoa está identificada e terá de ser responsabilizada pelos actos, porque, explicou, o Governo e as câmaras municipais não podem continuar a responder pelas irresponsabilidades das outras pessoas.

“Todos os agricultores nas zonas de perímetro florestal de Monte Velha e de Montinho têm de tomar atenção redobrada para evitar incêndio na floresta que tem estado a ser devastada ano após ano pela incúria e irresponsabilidade das pessoas”, defendeu Carlos Fernandinho Teixeira.

O autarca dos Mosteiros, que tem responsabilidade pelo perímetro florestal de Monte Velha, disse que tomou conhecimento do incêndio por volta das 17:00 de quarta-feira tendo imediatamente accionado o Serviço Municipal da Protecção Civil e os bombeiros voluntários dos Mosteiros que, juntamente com os de Santa Catarina e de São Filipe e um grupo de mais de 50 homens e mulheres, começaram a actuar no combate que foi iniciado pelos populares de Chã das Caldeiras.

Reconheceu que o espaço é complicado em termos de acesso ao local de incêndio, mas durante a madrugada conseguiram extinguir o fogo, que consumiu, aproximadamente, dois hectares de terreno (área equivalente a dois campos de futebol), mais propriedade agrícola de particulares do que da área florestal.

Para Carlos Fernandinho Teixeira, numa floresta desta natureza há necessidade de estradas de penetração para permitir acessos rápidos e a construção da estrada que liga Achada Maurício (Mosteiros) ao troço de Campanas de Cima a Montinho, se faz sentir para ter acesso mais rápido ao perímetro.

“É preciso uma intervenção mais profunda no acesso à casa de Monte Velha, mas há também o problema de água e o Serviço Regional de Protecção Civil tem de ter um bombeiro preparado para juntamente com os pequenos bombeiros dos três municípios disponibilizar água para fazer face a incêndio neste perímetro ou em quaisquer outras situações a nível da ilha”, rematou o autarca.

Já o Comandante Regional do Serviço de Protecção Civil, Edson Alfama, que esteve a comandar as operações no terreno, avançou que o incêndio foi provocado pelo descuido de um agricultor ao confeccionar almoço e porque estava sozinho não conseguiu controlar o incêndio que começou por volta das 11:00 de quarta-feira.

A instituição foi informada por volta das 16:30 através de um morador de Chã das Caldeira e de imediato foi accionado o Serviço Municipal da Protecção Civil dos Mosteiros, que se deslocou ao local apoiado pelos bombeiros de Santa Catarina e de São Filipe com os seus equipamentos e meios para combater o incêndio.

Entre bombeiros municipais, voluntários da Cruz Vermelha e populares de Chã das Caldeiras estavam no teatro das operações meia centena de pessoas a combater o fogo entre as 17:30 de quarta-feira até 01:30 (madrugada de hoje).

Edson Alfama confessou que não foi tão fácil porque o acesso era difícil, indicando que a estratégia utilizada foi uso de pás e enxadas para circunscrever o incêndio e evitar que se alastrasse para a parte florestal e no local mais próximo de estrada foi utilizada uma tonelada e meia de água no combate às chamas.

Por volta das 10:00 de hoje, quando os bombeiros abandonaram o lugar, Edson Alfama assegurou que não havia riscos de reacendimento embora alguns troncos ainda estavam com fumarolas.

O delegado do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA), Jaime Ledo, disse que o perímetro florestal já sofreu vários incêndios, destacando pelas suas proporções os de 2004 e 2015, neste último ano o incêndio consumiu cerca de 800 hectares.

Este incêndio de quarta-feira é de dimensão menor e ocorreu, essencialmente, nas pequenas propriedades agrícolas e parte florestal não foi praticamente prejudicada, e calculou-se que atingiu cerca de dois hectares de terenos de cultura agrícolas.

Segundo o responsável, não se registou grandes perdas porque foi este ano que as pessoas começaram a fazer actividades agrícolas naqueles terrenos que foram cedidos a 30 famílias de Chã das Caldeiras pelo Governo para cultivo de fruteiras.

Destacou a “boa articulação” dos Serviços Municipais de Protecção Civil das três câmaras, fruto do recente protocolo de transferência de competências que o Ministério celebrou com as autarquias, que ajudou a combater o incêndio.

Jaime Ledo disse que no quadro do projecto Reflor Cabo Verde, financiado pela FAO, estão a trabalhar para criar condições e ter floresta mais limpa e sem os combustíveis que favorecem a propagação de chamas.

“Não temos grandes condições em termos de meios, mas o pouco que fazemos é na prevenção do incêndio, através da limpeza da floresta, construção de pequenas vias de acesso que permite a circulação mais rápida das pessoas em caso de incêndio”, observou o delegado do MAA.

Inforpress/Fim

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