quarta-feira, 23 outubro 2019

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Centro de cuidados paliativos abre vias para integração dos cuidados na política integrada de Saúde

O centro de cuidados paliativos (hospice) Nossa Senhora da Encarnação, o primeiro em Cabo Verde, começa a funcionar dentro de sete meses, e abre as vias para que os cuidados paliativos integrem a politica integrada de cuidados de saúde.

Esta é uma das conclusões do encontro internacional sobre os cuidados paliativos em Cabo Verde, que decorreu entre os dias 03 a 05 de Outubro, em São Filipe, sob o lema “dignidade humana até o fim da vida”.

Apesar de considerar que o centro, ainda em construção, chega em boa hora, os participantes do encontro, organizado pela Associação de Solidariedade e Desenvolvimento (ASDE), em parceria com hospital regional São Francisco de Assis e outras instituições, nacionais e estrangeiras, consideram que ainda há um longo caminho a ser feito nesta matéria.

Da lista das conclusões do encontro, destacam-se ainda a necessidade do diálogo e parceiras entre todos os agentes envolvidos na problemática da saúde, a multidisciplinaridade e articulação, a necessidade de se pensar na formação em cuidados paliativos, o não esquecimento da família, melhor tratamento dos dados estatísticos, assim como a necessidade de se divulgar mais o que são os cuidados paliativos.

Durante o encontro, o padre Ottavio Fasano, principal promotor da construção do centro, destacou “a santidade do corpo humano” que, segundo o religioso, deve ser respeitado, mesmo perante a morte, e que os cuidados paliativos devem ser prestados, sobretudo com “rosto humano, com muito amor e com muita vontade” para que o doente possa encontrar-se com a morte no caminho do amor e da verdade.

Segundo o mesmo, apesar dos elevados custos financeiros com os cuidados paliativos, não pode ser negado a quem precisar.

O director da Fundação FARO de Turim, Itália, Alessandro Valle, que ministrou uma aula, apontou dificuldades do ponto de vista cultural, científico e emocional dos doentes paliativos, salientando que a medicina paliativa entra em todas as especialidades e é a arte da medicina.

Com a evolução da medicina e condições de vida, disse, registou-se o aumento da esperança de vida e das doenças relacionadas com a velhice.

O orador defendeu que é necessário “dissipar alguns mitos e tabus em torno da cultura paliativa”, mas também apostar na formação dos técnicos que trabalham na área, redução das dores e do sofrimento dos pacientes e na prevenção primária antecipando problemas mais tarde.

A enfermeira Antonella Milo referiu que o cuidado com o lado espiritual e o conforto espiritual são fundamentais para ajudar os doentes a reencontrar a confiança porque, indica, até o último dia de vida a pessoa é sempre uma pessoa, com uma história, sentimentos, emoções e necessidade de ser reconhecida como pessoa e não se deve escandalizar a sua existência.

Para tal, afiançou é preciso o trabalho em equipa, impor regras, identificar com o trabalho e ter diálogo aberto e permanente com os familiares e os doentes.

A coordenadora do curso de enfermagem da Universidade Única, Lindzai Ribeiro, que socializou o tema “a espiritualidade nos cuidados de enfermagem a pacientes paliativos”, defende a existência de equipa multidisciplinar com médicos, enfermeiros, psicólogos e sobretudo do papel do capelão como a pessoa que faz a ponte entre o paciente e a sua crença religiosa.

Para a mesma, é preciso entender o ser humano nas suas várias dimensões (física, mental e emocional, a social e espiritual), referindo-se ao impacto da parte espiritual nos cuidados paliativos e a sua importância para o doente.

Promover acções que garantam uma vida digna e controlo adequado dos sintomas físicos, psíquicos e espirituais, a espiritualidade como uma necessidade humana e universal e os benefícios para a saúde e funcionamento como um agente regulador das emoções que reduzem os níveis da depressão e stress nas pessoas que vivem com o câncer foram outros aspectos referenciados na sua comunicação.

Ao todo, durante três dias foram socializados 23 painéis relacionados com cuidados paliativos, apresentados por técnicos e especialistas nacionais e internacionais, nomeadamente de Itália.

Inforpress/Fim

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