terça-feira, 20 agosto 2019

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Resultados da investigação realizada nos sectores de agricultura e pecuária apresentados sexta-feira em São Filipe

Os resultados da investigação teórica realizada desde 2010 nos sectores agrícola e pecuária, visando a sua valorização e torna-los preponderantes na economia local e nacional, são apresentados sexta-feira às instituições e produtores da ilha.

O promotor do projecto, António Fernandes, em conversa com a Inforpress afirmou que na ilha do Fogo vai-se implementar um projecto-piloto, visando a criação de um modelo de gestão para que a agricultura, seja ela pequena ou grande, tenha impacto e vantagens para os pequenos e grandes agricultores sem grandes diferenças.

O projecto denominado “visão do futuro” é um estudo que vai ser transformado numa cooperativa, sendo que a ideia é divulgar os nove anos de estudo teórico e mais três anos de estudo prático que se realiza na ilha, para ter dados concretos e torná-lo num modelo que pode ser replicado em qualquer ilha, contribuindo assim para estagnar e reduzir a pobreza, criar mais emprego, disse o promotor para quem o sector da agricultura alberga um grande número de mão-de-obra.

A investigação, explicou António Fernandes, permite fazer um segmento mais claro e consistente dos sectores da agricultura e pecuária, assim como demonstrar determinadas medidas que podem ser implementadas para trazer consistência, em termos da agricultura, na qualidade e na procura do mercado.

“Durante as investigações, chegamos à conclusão de que o sector agrícola emprega maior parte de mão-de-obra, mas é neste sector que está também maior índice de pobreza”, disse o promotor da investigação, indicando que desde 2010 “a pobreza está a aumentar” e que “o investimento nunca foi maior neste sector”.

Para o mesmo, a existência desta situação é reflexo de que se está a investir sem pensar no retorno ou de forma pouca inteligente porque, adianta, cada investimento deve representar um retorno monetário e económico.

“Depois de criar a ideia, vamos lançar no mercado e o problema maior é fazer a ideia chegar às pessoas, o que não é fácil, e implica que todos têm de trabalhar em comum”, defende António Fernandes, para quem com a apresentação vão demonstrar como implementar medidas e fazer as pessoas associarem para desempenhar o seu papel até criar a sequência para mudança de hábitos e da forma como estão a fazer determinadas coisas.

Além de apresentar o resultado da investigação, este disse que o projecto “visão do futuro” vai iniciar as suas actividades no próximo mês de Julho e por isso vão fazer uma pré-selecção de 30 pessoas para uma formação de onde serão escolhidas 15 pessoas para trabalhar no projecto, que o mesmo classifica de “grande, muito desafiante e que exige dedicação das pessoas” que devem conhecer detalhadamente o seu conteúdo para o sucesso do mesmo.

Fernandes disse que o projecto já apresentou ao Governo, através do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) uma proposta para gestão do Centro pós-colheita da ilha, inaugurado em meados de Julho de 2014 e que nunca chegou a funcionar, aguardando pela decisão.

Segundo o mesmo, a proposta apresentada tem um conjunto de medidas que vão trazer benefícios enormes para o centro pós-colheita, dando sustentabilidade para o seu funcionamento, observando que a implementação do projecto “visão do futuro” exige um centro do género, porque, adianta, “um dos focos é a eficiência e eficácia”, pretendo por isso utilizar estruturas do Estado que não estão a ser utilizados e operacionalizados neste momento.

Este assegura que um dos efeitos das medidas do projecto é criar uma cooperativa onde todos os produtores da ilha vão vender os seus produtos de modo a fazer economia de escala e com sistema de venda, permitindo assim o controlo do mercado para não deixar a demanda diminuir no mercado, mantendo a procura e a demanda controlados para que o preço seja estável, empoderando os agricultores.

A cooperativa vai comprar os produtos nas próprias localidades, através de agentes de compra, ao mesmo tempo que mostra aos produtores todo o prejuízo que teriam se eles quisessem vender os seus produtos directamente no mercado como o custo de transporte para a deslocação, a perda do dia de trabalho, a venda a crédito e com risco de perder ou de receber o valor de forma fraccionada, sublinhando que vendendo à cooperativa é uma forma para manter o valor do produto no mercado com ganhos evidentes para o produtor.

Outra vantagem é que a cooperativa vai pagar o preço num prazo de 72 horas através das instituições bancárias o que permite dar visibilidade dos produtores junto dessas instituições, podendo assim ter acesso a crédito com mais facilidade, além de diminuir a pobreza, desemprego e realizar projectos produtivos.

“Fogo é uma ilha com muito potencial, muito falado, mas ninguém e nem nenhum programa conseguiu ver realmente o seu potencial” disse, observando que o projecto pode fazer muito para a ilha que tem muitos ciclos de produção e favorável para a consistência da agricultura e em diversas épocas.

No entanto, explica, a sua produção não é valorizada porque é feita de forma isolada, quando para ter o impacto é necessário entrar num canal de comercialização com certificação dos produtos para que ganhe valor de mercado adequado.

Inforpress/Fim

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