sexta-feira, 24 maio 2019

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Chumming poderá ser um valor acrescentado ao turismo e trazer mais turistas – Jacob Salvatore Gonzalez

O desenvolvimento da actividade de “chumming”, uma prática de atrair os animais, neste caso concreto as aves marinhas, poderá representar um valor acrescentando ao sector do turismo e trazer mais turistas para o país.

A ideia é defendida pelo especialista e professor de Zoologia da Universidade de Barcelona Jacob Salvatore Gonzalez, que está de visita à ilha do Fogo e ao Ilhéu de Cima para fazer “chumming”.

Chumming” é uma actividade que consiste em triturar peixe fresco, congelar e colocar depois o bloco de peixe no meio do mar para atrair aves marinhas, de modo a permitir ver as aves que estejam pertos desta área, conhecer e estudar a sua população e em que época passam as aves que não existem pelo país.

“Cabo Verde não é só uma área importante para reprodução das oito espécies de aves marinhas, mas também as suas águas são muito importantes para outras espécies, e com o “chumming” não só dá para ver as aves e a sua abundância, mas para ver se há outras espécies que estão a utilizar as áreas, mesmos quando não estão a reproduzir aqui, para passar uma época ou a emigrar”, disse Jacob Gonzalez.

Segundo o especialista, é a única forma de ter informação dessas espécies e é muito importante avaliar esta actividade porque, futuramente, pode ser uma actividade de interesse para o incremento do turismo por ser uma actividade que não tem impacto nenhum nas aves e pode ser utilizada para observação das aves, através daquilo que se chama “seabird watching”.

Jacob Salvatore Gonzalez disse que, à semelhança do que se está a fazer com as espécies marinhas como baleia, golfinhos, pode também ser desenvolvido com as aves marinhas (seabird watching) e ver as espécies de aves que são difíceis de ver.

“Com essa técnica de “chumming”, podem aproximar as embarcações e fazer fotografias e um turismo relacionado com a natureza, vendo distintas espécie de aves”, advoga o especialista, indicando que “há muitas pessoas que sentem o prazer de ver essas aves de perto” e está-se a avaliar esta técnica que poderá dar um valor ao turismo e trazer mais turistas.

Para Jacob Gonzalez, muitos observadores de aves experimentam grande entusiasmo na observação das mesmas.

Com relação à visita ao Ilhéu de Cima, este disse que visa sobretudo dar o segmento de monitorização básica de reprodução e de movimentação para procura de alimentos das distintas espécies que reproduzem neste espaço.

Adiantou que o Ilhéu de Cima é um dos pontos mais importantes para as aves marinhas em Cabo Verde, juntamente com as ilhas desérticas, sublinhando que reproduzem com muita abundância, com excepção de Rabo de Jungo e Alcatraz, devido à acção dos pescadores que constitui a principal ameaça.

O especialista encontra-se em Cabo Verde há cerca de dois meses e além das actividades atrás mencionadas, um dos principais objectivos foi o de encontrar novos ninhos de Gongons nas quatro ilhas de intervenção (Fogo, Santiago, S.Nicolau e Santo Antão) com ajuda de uma cadela, treinada por um especialista internacional para encontrar ninhos de Gongons, tendo sido identificado 15 ninhos novos, o que para o especialista representa “um grande sucesso”.

Antes, explica, era difícil encontrar os ninhos porque a reprodução acontece em espaços inacessíveis e muito complicado e durante vários anos de pesquisa tinham sido identificados uns 30 ninhos e com o recurso à cadela foram encontrados mais 15 ninhos, elevando-se para cerca de meia centena.

No quadro do projecto relacionado com aves marinhas de Cabo Verde, financiado pela Fundação Mava e coordenada pela “BirdLife international” e executado em parceria com várias instituições, está-se a estudar a movimentação dos barcos de pescas das diferentes ilhas, através de diálogo com os pescadores e colocação do aparelho de GPS para registar e identificar as áreas mais importantes para a pesca, além de continuar a colocar GPS nas aves marinhas, processo iniciado há alguns anos.

A ideia, explica, é tentar ver o mapeamento das áreas de procura de alimentos das aves marinhas e as áreas que os pescadores utilizam na faina da pesca para tentar reproduzir quais são as áreas potencialmente da pesca podem ser um perigo para as aves, assim como quais são essas áreas e os períodos de interacção mais intensa entre as aves e pescadores, já que uma das ameaças mais importantes para estas espécies é a apanha, involuntária ou voluntaria, das aves, e entender a interacção, que é fundamental para reduzir o risco a que estão expostos em diferentes áreas e períodos do ano.

Segundo o professor, há alguns anos que estão a colocar aparelhos para estudar a sua distribuição e pode-se dizer que dispõe de dados relativos às viagens de todas as espécies de aves marinhas de Cabo Verde na procura de alimentos, com diferença de mobilidade, sendo que algumas ficam perto das áreas de reprodução, como por exemplo, o Alcatraz que sempre procura os alimentos num raio de 50 quilómetros do lugar onde está a reproduzir.

“Há espécies que são mais pequenas e que deveriam ter mobilidade mais pequena, como o Pedreirinho ou Pedreiro Azul, duas espécies muito pequenas mas são capazes de viajar até 300 quilómetros à procura dos alimentos para alimentar os filhotes, e há outras espécies, como o Gongon ou Cagarra, que podem fazer até 500 quilómetros”, disse Jacob Gonzalez.

Explicou que a Cagarra é uma espécie que vai mais longe de Cabo Verde, até a Costa Africana (plataforma continental africana) à procura de alimentos e depois regressa, perfazendo em cada viagem cerca de mil quilómetros, ida e volta, uma mobilidade espectacular.

Segundo o especialista, é essa mobilidade que está a colocar as aves marinhas em risco com a interacção das pescarias, porque, explica, em Cabo Verde as embarcações são poucas e mais artesanais, mas na plataforma continental africana a frota é maior e o perigo também, salientando que são aspectos desconhecidos e por isso objectivo de estudo.

Os aparelhos de GPS são colocados nas embarcações de pescas por um período de dois a três meses e abrange não só as áreas de pesca do arquipélago, observando que já tem um número importante de viagens, mais de 50 viagens dos barcos, com muitas informações para os estudos.

Inforpress/Fim

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