quarta-feira, 22 maio 2019

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Leão Lopes diz que intervenção do M_EIA na Chã é oportunidade de aprendizagem e investigação

A intervenção do M_EIA, enquanto instituto universitário e organização não-governamental, em Chã das Caldeiras, é uma oportunidade de aprendizagem e de investigação, disse o responsável daquela instituição universitária, Leão Lopes.

Para o responsável do Instituto Universitário de Arte, Tecnologia e Cultura do Mindelo (M_EIA), que desde o ano passado dispõe, no quadro de protocolo com o Governo, em Chã das Caldeiras, de um gabinete de apoio ao Plano Detalhado de Chã das Caldeiras (PDCC), a intervenção permite aplicação de alguns resultados de pesquisas anteriores, sobretudo no domínio de matérias locais e de soluções construtivas endógenas.

Segundo o técnico, o gabinete apresenta outras possibilidades de construção em Cabo Verde, com “racionalidade e sustentabilidade”, poupando o impacto de cimento, ferro e de recursos raros e que devem ser geridos com cuidado, como a areia.

Adiantou que o gabinete conseguiu pôr em prática todas  as preocupações na Chã, que tem “um potencial extraordinário” de materiais endógenos, que dão possibilidade de encarar o uso desses materiais para a construção civil de uma forma “muito interessante a nível económico”.

“Os recursos locais existentes permitem a redução de custos, a nível de arquitectura e de integração ambiental das próprias construções”, advogou Leão Lopes, observando que a nível académico foi “uma grande oportunidade” que o M_EIA está a ter.

Disse que se tratou de um desafio do Governo, que “não era fácil aceitar logo à primeira” por causa das condições logísticas reais de Chã das Caldeiras, sem energia,  água e condições até de viver  lá como universidade e com pessoas com vários perfis.

Salientou que o Plano Detalhado de Chã das Caldeiras (PDCC) prevê  não só a parte infra-estrutural como as redes eléctrica, de água, esgotos e de comunicações, sendo que uma boa parte da rede viária está dentro da área abrangida pelo plano que o gabinete tem a responsabilidade de acompanhar e apoiar.

No quadro do PDCC coube ao M_EIA projectar os edifícios públicos e, por uma questão de estratégia, começou-se pelo complexo escolar, cuja primeira fase abrange a construção do jardim infantil, prosseguindo depois com centro de saúde, recinto desportivo e outros, propondo soluções  construtivas para esses edifícios mais adaptado à realidade de Chã.

Com esse desafio, explicou, era necessário investigar os recursos naturais que pudessem ser aplicados num projecto de arquitectura para responder a todas as preocupações da localidade, como risco e prevenção dos abalos sísmicos constantes na Chã, sistema de evacuação “o mais aberto e rapidamente possível”, adiantando que num primeiro momento pode-se estranhar alguns vãos mas com explicação as pessoas percebem, o porquê de serem desenhados desta forma.

“As paredes tem espessura de 30 centímetros, uma coisa  inédita, e são mais barata do que a parede tradicional, mais eficaz em termos energético porque tem um isolamento térmico e o impacto do calor e do frio é muito menor do que as paredes tradicionais”, salientou o arquitecto, indicando que todos os elementos dessas paredes são produzidos em Chã.

“Conseguimos dentro do espaço construído um conforto ambiental inovador em Chã das Caldeiras como podia ser em qualquer parte de Cabo Verde”, defendeu Leão Lopes, indicando que as paredes não precisam de reboque e toda a areia que se poderia aplicar no reboque será dispensada e o impacto de acabamento é uma solução completamente diferente do que se conhece em São Filipe e com custos “muito mais baixo”.

“Os custos maiores  de se construir na ilha do Fogo, e em especial na Chã das Caldeiras, é o transporte que é extremamente caro e o mercado que é muito reduzido em inovação tecnológica na área de construção”, afirmou o arquitecto, adiantando que por isso tem de “inventar a forma de ter materiais específicos”, que não os materiais mais normais e tradicionais  no dia-a-dia, como o cimento e ferro.

Como exemplo, indicou que não se vai usar tintas plásticas acrílicas nos edifícios construídos pelo gabinete.

“Se houver cor somos nós a fabricamos com terras e pigmentos naturais que encontramos na ilha”, sustentou.

Leão Lopes disse que o Governo está incentivar o instituto para não parar com o processo do complexo escolar, e por isso quer continuar a colaborar na Chã e terminar a primeira fase para  rapidamente tirar as crianças mais pequenas de uma situação educativa muito particular em que se encontram, e mais para frente ter uma ideia do plano e do tempo para completar o complexo.

Sublinhou que os estudos prévios para os edifícios públicos estão prontos e que na terça-feira manteve um encontro com o delegado do Ministério da Agricultura e Ambiente em que se analisou o estudo prévio das instalações futuras desse ministério.

Indicou que dentro do plano e das condições já definidas, o estudo prévio será discutido com  entidades, assim como aconteceu com o projecto de arquitectura do centro de saúde, já concluído.

O gabinete, segundo Leão Lopes, está actuando até onde for necessário e, a partir do momento em que as coisas estejam a andar por si mesma, o mesmo será deslocalizado para outro lado porque, explicou, a Chã é “uma das urgências”, mas enquanto academia, instituição científica e ONG, a M_EIA existe para servir Cabo Verde e é “desafiado para vários sítios”.

Com Inforpress

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