sexta-feira, 24 maio 2019

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Retrospectiva 2018

A ilha do Fogo continua aguardando pelos projectos estruturantes anunciados em período eleitoral como sendo fundamental para dar o pulo ao tão almejado desenvolvimento e o seu reposicionamento no contexto nacional.

No ano civil de 2018, ano que está prestes a terminar, salvo alguns investimentos anunciados e/ou iniciados, os principais investimentos foram protelados, talvez para o ano económico de 2019, nomeadamente:

  1. A tão falada iluminação e ampliação da pista do aeródromo de São Filipe e a sua transformação num aeroporto de médio porte e com capacidade/condições para receber voos nocturnos e aviões de médio porte, assim como a melhoria da infra-estrutura de check-in e de chegada que se mostra exígua;
  2. O atraso na implementação da iluminação da pista, apesar da disponibilidade de operadores turísticos internacionais interessados em investir na ilha do Fogo em assumir os custos da realização do estudo e de comparticipar na sua efectivação, condicionou a construção do Aloé Vera Hotel (previsto para iniciar em 2018) e do teleférico;
  3. A conclusão da, não menos falada, estrada circular do Fogo, apelidada de meia-lua pelos actuais responsáveis políticos enquanto estiveram na oposição;
  4. A ampliação do porto de Vale dos Cavaleiros bem com a reabilitação da estrada que liga o porto à Cidade;
  5. A construção da adega definitiva em Chã das Caldeiras que representa um investimento de mais de 300 mil contos e cujo projecto foi socializado em Abril de 2017;
  6. A instalação de um pólo universitário;
  7. Assim como outros projectos, não de somenos importância para a ilha e para a sua gente, e capaz de travar o êxodo da sua população para outros pólos de desenvolvimento mais atractivos, não saíram do papel no ano que está prestes a terminar e condicionaram outros projectos de desenvolvimento da ilha nas várias vertentes.

Para o ano de 2018 o Governo anunciou que a ilha iria receber investimentos na ordem de um milhão e 200 mil contos para a sua infra-estruturação nos próximos dois anos, mas o facto de o Orçamento do Estado (OE) para 2019, prever menos recursos para a ilha do Fogo e o aumento das taxas de desemprego, deixa antever um cenário sombrio de que não será no próximo ano que o Fogo vai dar o salto almejado e esperado pelos foguenses, residentes nas ilhas ou na diáspora, rumo ao seu desenvolvimento.

A nível do transporte a ilha continua com sérios problemas de ligação com as outras ilhas, tanto no transporte aéreo como no transporte marítimo com repercussões a nível do desenvolvimento da ilha. Não só se verificou uma diminuição do num ero de voos como também o aumento dos preços das tarifas aéreas mas também do transporte marítimo entre São Filipe/Praia/São Filipe, encarecendo os produtos para os consumidores finais.

 De registar ainda que enquanto outras ilhas já vão na terceira e quarta fase de programas de saneamento básico ainda não se vislumbra qualquer plano de saneamento para a ilha. A rede de esgotos da Cidade de São Filipe, pensada há 60 anos pelo médico e escritor Foguense, Henrique Teixeira de Sousa, apesar de constituir uma das promessas nas últimas eleições legislativas e autárquicas, não constitui aposta para os próximos anos. No quadro da requalificação urbana da cidade de São Filipe anunciado para 2018 e que aguarda pelo seu arranque efectivo a questão da rede de esgotos não é tido como prioritário. A construção do aterro sanitário único para a ilha arrasta-se há vários anos, a transferência da lixeira municipal de São Filipe, situada a menos de 300 metros do hospital regional, apesar da promessa da actual equipa que gere a edilidade para a sua transferência num período de seis meses, o certo é que passaram mais de dois anos e ainda continua a funcionar e sem uma data para a sua desactivação e transferência. Porque funciona num espaço privado, o atraso da sua retira condicionou a implementação do projecto turístico Bila Resort. A nível de saneamento a cidade terminou o ano sem uma viatura de recolha de lixo obrigando a Câmara a alugar duas viaturas de caixa aberta para fazer a recolha dos resíduos sólidos urbanos.

A requalificação dos três centros urbanos (São Filipe, Cova Figueira e Igreja), da orla marítima dos Mosteiros, já iniciada, construção de arrastadouros, iluminação da pista do aeródromo de São Filipe em 2019, são algumas das obras de infra-estruturação que constam do pacote de investimentos anunciado e que tarda em chegar.

Quase metade deste valor deverá ser aplicado em Chã das Caldeiras, nomeadamente na construção do troço de estada Cova Tina/Portela/Bangaeira, numa extensão de pouco mais de 11 quilómetros (11.260 metros) e orçado em 109 mil contos e Campanas de Cima/Piorno (1ª fase) e Piorno/Fernão Gomes (2ª fase) numa extensão de pouco mais de sete quilómetros, representando um investimento do Governo na ordem dos 300 mil contos.

A construção em curso da estrada Cova Tina/Portela/Bangaeira é muito contestada pelos ambientalistas e por algum segmento da população que não entende como é possível permitir a construção de uma infra-estrutura desta dimensão e numa área protegida sem o necessário e com competenteEstudo de Impacto Ambiental. A descaracterização das paisagens no interior da Caldeira com abertura de várias vias para extracção de pedras e jorras para o calcetamento é visível para todos quanto se deslocam a Chã das Caldeiras, questionando por isso o papel da coordenação do Parque Natural do Fogo e da própria Direcção Nacional do Ambiente face a esta situação. Por outro lado muitos contestam o traçado porque afeta muitas áreas cultivadas, com grandes prejuízos para os agricultores.

Alem destas infra-estruturas, as obras da construção da nova adega de vinho, que representa um investimento superior a 300 mil contos, que chegou a ser anunciado para 2018, também não começou.

Em termos de retrospectiva, destaca-se em 2018 a ocorrência de desabamento de rocha no troço de estrada nacional EN1-FG01, de Sumbango, que liga Mosteiros a São Filipe, via norte, e que deixou Mosteiros parcialmente isolado durante três meses, período durante o qual o Governo e a Camara Municipal investiram avultadas somas na desobstrução do anel rodoviário e contenção do talude.

O Plano Detalhado de Chã das Caldeiras (PDCC) elaborado por uma equipa técnica das ilhas Canárias apoiada por técnicos do INGT foi aprovado e começou a ser implementado com o inicio da construção do jardim que faz parte  do complexo escolar. O plano ocupa uma superfície de 60 hectares, e determinou três áreas de construção: Bangaeira, zona norte da Portela e Scoral, mas a população mostra-se contra o local escolhido para construção de mais 52 habitações (assentamento). A população residente, depois de várias reivindicações passou a dispor de água do furo de prospeção que foi equipado com sistema solar.

Uma outra infra-estrutura, da responsabilidade da Câmara Municipal de São Filipe, e que iniciou em 2018 foi o projecto de requalificação da estância balnear de Salinas, denominado de “Ecoturismo na piscina natural de Salinas”, financiado pela União Europeia. Pouco tempo depois do seu início a obra foi embargada por desentendimento com o proprietário de um empreendimento que foi demolido no local, sem o necessário acordo entre as partes, levando à paralisação da mesma.O projecto devia ser concluído em Novembro de 2018, mas estas situações acabaram por ditar o adiamento da sua conclusão, estando a mesma prevista para Abril de 2019.

Se a nível da infra-estruturação o ano de 2018 não trouxe grandes alegrias à ilha e a sua gente, a nível social registou-se perdas de várias figuras simbólicas da ilha do Fogo, alguns casos de homicídios seguido de suicídios, acidentes de viação e de trabalho.

O falecimento do enfermeiro, fundador e dirigente do Botafogo e aquele que foi o primeiro delegado do Governo depois da Independência, mas também deputado, Rolando Lima Barber “Senhor Zuca”, a morte do professor e árbitro de futebol, Mário António Barbosa Mendes “Mariozinho”, do antigo jogador e treinador do Vulcânico Futebol Club e árbitro na década de 80 do século passado, Vlademiro Alves “Totone Filavia”, do jogador de futebol, José António Pereira de Silva, “Sousa”, que representou as equipas ditas grandes da ilha do Fogo, assim como a selecção, foram perdas para o sector do desporto.

A nível da cultura a ilha perdeu em 2018 a figura de Daniel Alves mais conhecido por “Nhô Sopa”, uma das figuras das tradicionais festas das bandeiras da ilha e Daniel Varela Semedo “Putchota”, compositor e interprete muito conhecido na ilha e não só e cujas composições foram interpretadas por artistas como Neusa e Assol.

O desaparecimento físico da mulher mais velha da cidade de São Filipe e da ilha do Fogo, Maria Veiga Amado, conhecida por “Nhánhá di Nho Ntone”, aos 113 anos, a partida do padre Camilo, da enfermeira dona Lília e do empresário Kim, este ultimo emigrante nos Estados Unidos da América, o falecimento de um turista de 53 anos, de nacionalidade australiana, a morte de duas pessoas vitimas de acidente de viação, de outras duas no mar, sendo uma delas agente da Policia Nacional, constam da listas das perdas registadas em 2018 a nível da ilha.

No sector económico a distinção, com medalhas de ouro, dos vinhos Maria Chaves (Santa Luzia – branco e Pico do Fogo – tinto reserva), a constituição da Associação dos Produtores do Vinho da ilha (APVF) e a aprovação da Denominação de Origem Registada - DOR FOGO, bem como o engarrafamento da água devem merecer destaques em termos de retrospectivas de 2018.

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