22-10-2018

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Na forja a primeira Associação das Empregadas Domésticas de Cabo Verde para defender a classe

Um grupo de trabalhadoras domésticas reuniu-se  na Cidade da Praia, para criar a primeira Associação das Empregadas Domésticas de Cabo Verde (ASED-CV), organização que pretende lutar para melhorar as condições laborais e de vida dessa classe.

Apesar de nascer na Cidade da Praia, a criação desta organização, que tem o apoio da Associação Cabo-verdiana de Luta contra Violência Baseada no Género (ACLVBG), terá a abrangência nacional.

Segundo Débora Cristina Vera-Cruz, cocoordenadora do projecto “Inspired Mais Cabo Verde”, que está a ser implementada pela ACLVBG, a ideia de criar esta associação partiu de Maria Gonçalves, que há 35 anos trabalha como empregada doméstica.

E a ACLVBG, por sua vez, abraçou esta iniciativa porque já tinha nos seus planos apoiar iniciativas dessa natureza, realçou.

“O objectivo maior é apoiá-las para que os seus direitos sejam cumpridos, porque apesar de estar no Código Laboral e de a lei dizer que devem ser incluídas na previdência social, na prática isso não se verifica,” explicou Débora Vera-Cruz atestando que vão apoia-las também com formações para saberem melhor sobre os seus direitos e fazerem o trabalho de melhor forma.

Mas esta responsável fez questão de realçar ainda que a associação não é restrita a mulheres, sendo aberta também a homens que fazem trabalhos domésticos como jardinagem, cozinheiros, e guardas noturnos, entre outros, já que se constatou, através de um inquérito, que existem em Cabo Verde seis por cento de homens que trabalham nessa área.

As diaristas, pessoas que trabalham a tempo parcial e os cuidadores, que são uma nova categoria profissional que está a ser criado em Cabo Verde, serão também abrangidos pela Associação das Empregadas Domésticas de Cabo Verde (ASED-CV).

Uma das lutas que vai ser assumidas pela associação é fazer com que os patrões passem a pagar o salário mínimo para estes tipos de trabalhos, principalmente para as empregadas que ainda não beneficiem desse direito.

Isto porque, conforme, Débora Vera-Cruz, do Inquérito realizado nas cidades de Assomada, Mindelo e Porto Novo verificou-se que a maioria dos homens que trabalham como guarda nocturno, jardineiro, ou cozinheiro já recebe o salário mínimo ou até mais, contrariamente a mulheres, apesar de todos serem considerados trabalhos domésticos.

A trabalhadora Maria Gonçalves que vai assumir as coordenadas da Associação das Empregadas Domésticas de Cabo Verde (ASED-CV), afirmou que a maior reivindicação dos colegas é um salário digno para apoiar os filhos nos estudos e que sejam inscritas no Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), para que possam beneficiar de assistência médica e medicamentosa

“Como líder eu quero fundar esta associação para pedir ao Governo, às ONG e à sociedade para nos ajudarem a ser mais reconhecidas e ter melhores condições financeiras, de saúde e que nos ajudem a resolver os problemas que estamos a enfrentar”, explicou Maria Gonçalves pedindo mais fiscalização na inscrição das empregadas domésticas no INPS.

Maria Gonçalves garantiu que futuramente esta associação terá delegações em outras ilhas, principalmente na Boa Vista, ilha onde há várias mulheres de Santa Cruz (ilha de Santiago) que precisam de apoio para lutar para a melhoria das suas condições laborais.

Com Inforpress

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