quarta-feira, 03 junho 2020

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Projecto FATA lança em Abril campanha de prevenção sobre exploração sexual

O projecto “Fogo, Água, Terra, Ar” (FATA), cuja finalidade é contribuir para desenvolvimento do ecoturismo sustentável e solidário e valorização do património cultural, social, ambiental, lança em Abril, na ilha do Fogo, uma campanha de prevenção sobre exploração sexual.

Carla Cossu, responsável do projecto FATA, implementado pela Organização Não-governamental Italiana Cospe, disse que o lançamento da campanha se enquadra numa das actividades do projecto que se prende com a definição de um código de conduta para turismo sexual.

Segundo a mesma, como o turismo sexual acontece, “regra geral”, nos países onde existe a prostituição e a exploração sexual, a campanha vai concentrar mais sobre a faixa etária juvenil, indicando que terá a colaboração de outras instituições como o Instituto Cabo-verdiano da Criança e Adolescente (ICCA), Ministério da Educação, Laço Branco, de entre outras.

A campanha, explica, consta de um vídeo, acompanhado de algumas palestras, que o projecto está a organizar, e de formações, principalmente nas escolas secundárias, uma vez que o público-alvo são os jovens, contando com a participação de personalidades ligadas aos ministérios, artistas e outros actores sociais.

“A ideia da campanha é de empoderar os jovens para que sejam protagonistas na resolução deste tipo de problemas. Não significa que a responsabilidade fica somente neles, mas vão ser empoderados para conhecer mais o fenómeno, quais os seus direitos e os deveres dos adultos que na teoria deviam protege-los”, disse Carla Cossu.

Acrescentou igualmente que no quadro da preparação do lançamento da campanha teve um encontro com o edil de São Filipe, que se mostrou disponível para colaborar na divulgação do vídeo da campanha no decorrer de algumas actividades no quadro das festividades de São Filipe, como conferência, fórum e possivelmente no palco do Presídio, numa noite em que se regista a presença de muitos jovens no espaço.

A responsável do projecto entende que há muitos casos de exploração sexual e que o “problema principal” é de denúncia que não acontece, indicando que decidiu pela realização da campanha porque é um fenómeno tão subterrâneo, escondido e que agora, muitas vezes, acontece através das redes sociais em que o adulto faz o contacto e é menos visível.

A campanha vai abordar o fenómeno sem indicar as categorias, embora as pessoas saibam quem pratica a exploração sexual, observando que o objectivo do evento não é diminuir a categoria de praticantes, mas empoderar os jovens para que comecem a se proteger.

Além disso, afirmou Carla Cossu, é “importante” a comunicação dentro da família, escola, com os pais, professores, psicólogos das escolas, “onde acontece muito assédio”, e os outros professores não fiquem calados e comecem a denunciar para, pouco a pouco, ajudar a mudar a mentalidade.

Segundo a mesma, vai-se utilizar a metodologia de protagonismo juvenil, porque quando os jovens sabem o que é este fenómeno vão mudar de comportamento, observando que muitas meninas não sabem que quando trocam objectos para uma prestação sexual é prostituição.

“Muitas vezes elas são empurradas pelas próprias mães e quando o fenómeno está tão radicalizado e que parece normal, é difícil mudar a mentalidade”, disse Carla Cossu, adiantado que o abuso, assédio e exploração está interligado e que se uma criança for abusada e a família, os vizinhos sabem e não fizeram nada, significa que o corpo dela não tem valor e quando crescer não dá valor ao seu corpo.

A campanha é lançada na ilha do Fogo onde o abuso sexual aumentou nos últimos anos, ou pelo menos aumentou a denúncia. O que não significa, realça a fonte, que aumentaram os casos, mas que as pessoas estão a tomar consciência e esta é uma “boa mensagem positiva”, mas depois será estendida às outras ilhas.

No próximo dia 20 de Março, Carla Cossu vai ministrar uma palestra na escola secundária Dr. Teixeira de Sousa, em São Filipe sobre “abuso sexual”, em colaboração com a ASDE e com associação dos estudantes da referida escola.

Estão previstas quatro sessões, sendo duas no período de manhã e outras tantas no da tarde para poder abranger o máximo de alunos possíveis, sendo que esta palestra constitui a preparação para o lançamento da campanha institucional contra prostituição ou exploração sexual.

Esta responsável disse que palestras do género serão realizadas noutras escolas secundárias da ilha e que o projecto já estabeleceu contactos com as direcções das escolas e com associações de estudantes para que tal aconteça.

Com Inforpress

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