quarta-feira, 03 junho 2020

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Covid-19/Fogo: Festa de São Filipe celebrada de forma atípica na esperança de no próximo ano poder comemorar em dobro

A edição deste ano das festas da Bandeira de São Filipe, patrono da ilha, município e da cidade, foi celebrada de forma atípica na esperança de no próximo ano poder ser comemorado em dobro.

Ao celebrar a missa em honra a Santo Filipe, que contou com pouco mais e duas dezenas de pessoas, o pároco de Nossa Senhora da Conceição, padre Lourenço Rosa, indicou que esta celebração demonstra todo o carinho e afecto que todos os foguenses têm para São Filipe.

Segundo o padre, a celebração da missa respeitou o devido distanciamento social possível, mas em comunhão com a comunidade paroquial, residente e na diáspora, já que a mesma foi transmitida através da rede social Facebook e por uma estação de rádio local.

O padre Lourenço Rosa lembrou que muitas das pessoas residentes e na diáspora gostariam de estar na ilha e a participar na celebração da missa, mas observou que os “seus corações estão aqui”.

“Todos os foguenses, nas ilhas e na diáspora, que desde há muito tinham agendado a participação na festa de São Filipe deste ano, mas na altura ninguém imaginava tal situação e uma celebração atípica por causa do novo coronavírus (covid-19)”, disse o pároco na sua mensagem, manifestando igualmente a solidariedade com aqueles que perderam os seus familiares por causa da pandemia.

“Estamos em comunhão espiritual com todos esperando que no próximo ano a situação esteja normalizada para poder celebrar da festa sem impedimento”, afirmou.

Já o presidente da Câmara de São Filipe, Jorge Nogueira, referiu que de uma forma atípica e anormal do que se estava habituado, cumpriu-se a tradição, lembrando que “hoje era o termino, de pelo menos, uma semana em grande de celebrações, mas que a saúde está em primeiro lugar”.

“A tradição existe e continua e dentro do possível e das condições de segurança fizemos uma pequena alvorada para assinalar o dia, simbolicamente, com tamboreiros, coladeiras e um único cavalo para demonstrar o que temos de melhor”, disse Jorge Nogueira, lembrando que todos os anos milhares de pessoas deslocam-se à ilha para celebrar a festa da Bandeira de São Filipe que coincide com o dia do município com o mesmo nome.

O autarca avançou que devido as medidas restritivas a bandeira foi assinalada dentro das possibilidades e condicionantes exigidas pelo momento, acrescentando que a passagem da bandeira está feita e não foi enterrada, e que “agora é esperar que tudo passa num prazo curto e preparar para festejar, no próximo ano, de forma redobrada”.

Esta seria a última festa do actual mandato de Jorge Nogueira à frente da câmara, mas não quis pronunciar sobre a sua recandidatura por considerar que “o momento não é oportuno”.

Adiantou, entretanto que, independentemente de quem estiver, a festa continua e o facto disso é que mesmo na situação anormal há pretendentes interessados em “tomar a bandeira” para continuar a tradição.

Jorge Nogueira admitiu a possibilidade, caso as circunstâncias permitam e com a devida autorização das autoridades sanitárias, a realização de corrida de cavalos por ocasião do aniversário da cidade de São Filipe alegando que os proprietários de cavalos estão em dificuldades.

Aliás, conforme sublinhou “a corrida de cavalos é das mais participadas e os prémios representam alguma coisa para aqueles que tem gastos enormes na criação dos cavalos”.

Independentemente disso, Jorge Nogueira adiantou que tem programado um encontro com os proprietários de cavalos para em conjunto avaliar forma de os apoiar já que este ano não têm possibilidades de participar em várias provas.

O representante do festeiro que se encontra na cidade da Praia, Alfredo Miranda, que em nome dele transportou a bandeira da Casa das Bandeiras à Igreja e no seu regresso, muito emocionado disse que é uma tristeza recordar a Casa das Bandeiras no dia 01 de Maio de 2019 com o dia de hoje, adiantando que “Fogo, Cabo Verde e o mundo estão tristes” devido a pandemia da covid-19.

O desejo do festeiro deste ano que voltou a assumir a bandeira para 2021, é que para o ano a situação esteja normalizada para que a festa possa ser celebrada em dobro, sublinhando que “o mais importante é que a bandeira não foi enterrada”.

Alfredo Miranda, que é primo do festeiro, Carlos Fidalgo, avançou que muitos dos seus familiares nos Estados Unidos tinham agendado a vinda por esta altura, formulando votos para a rápida normalização para que todos possam estar presentes no próximo ano, com alegria a festejar o São Filipe.

Depois da celebração da missa os tamboreiros e as coladeiras actuaram, por breves instantes, no átrio da igreja matriz, para passagem da bandeira, seguindo depois para a Casa das Bandeiras.

O representante dos festeiros tomou a bandeira das mãos do pároco, Lourenço Rosa para a sua celebração no de 2021, evitando assim o seu enterro.

Esta é a primeira vez que a bandeira de São Filipe não é celebrada com todos os seus rituais desde o seu desenterro em 1917.

Inforpress/Fim

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