domingo, 05 julho 2020

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Campanas de Baixo recebe a maior festa tradicional da bandeira da ilha

A edição 2020 da maior festa tradicional da bandeira da ilha, Banderona, inicia-se hoje na comunidade de Campanas de Baixo, extremo norte do município de São Filipe.

A semelhança dos anos anteriores, a festa irá decorrer até a véspera do dia do Carnaval, que este ano é festejado a 25 de Fevereiro, significando que este ano a Banderona vai decorrer durante 24 dias, iniciando hoje com montagem das barracas e pilão, terminando no dia 24 com o almoço seguido de passagem da bandeira para o ano de 2021.

Este ano, os festeiros principais são dois filhos de Campanas, mas residentes na Cidade da Praia, Dado Codé de Tila e Minguta Codé de Dona (bandeira grande), mas há outras pessoas da localidade que festejam a bandeira da praia.

Dado Codé de Tila, um dos festeiros, informou que as actividades se iniciaram no dia 1 de Fevereiro e além da abertura da Banderona, com o ritual que acontece anualmente como montagem das barracas, está programada a actuação de artistas como Zé Espanhol, Du Marthaz, Nito, um artista de Santiago e vários DJ como Mussolo e Tsunami.

Na parte de refeição, este disse que pretende-se introduzir algumas inovações, nomeadamente com confecção de pratos típicos da ilha de Santiago para completar e diversificar os pratos tradicionais da ilha.

As duas próximas semanas serão de pilão para preparar o milho para o almoço, com animação de talentos da localidade de Campanas de Baixo e DJ, ficando para a última semana reservada à vinda de outros artistas como o grupo de batucadeiras Boa Nova, da Cidade da Praia, Elji, Garry, Dany di Xixa, Boby Living e Mito Káskás, de entre outros, segundo um dos festeiros.

O sábado que antecede o dia de almoço será dedicado à matança dos animais, e este ano as festas vão decorrer nas instalações da Casa da Comunidade ou de Banderona, construída para este tipo de actividades.

Apesar da morte de uma das figuras mais populares da Banderona há uma semana, na localidade de Campanas de Baixo, e de uma outra figura ligada à festa, que faleceu nos Estados Unidos da América, a maior festa da ilha vai decorrer “dentro da normalidade” e com todas as actividades habituais.

A festa São João Baptista, apelidada de Banderona por ser a festa tradicional da bandeira com maior duração, celebrada em toda a Ilha do Fogo e a segunda que movimenta maior número de pessoas, depois da festa da bandeira de São Filipe, 01 de Maio, tem um carácter nacional e internacional e com deslocação de vários emigrantes e pessoas residentes em outras ilhas.

A festa da Banderona ou da Bandeira de São João Baptista surgiu há mais de dois séculos e conforme reza a lenda “na altura, as pessoas ouviam, no “assobiar” do vento, sons comparados com o toque de tambor e cantigas no ar, ao longo de uma semana”, seguidos de relâmpagos e trovões, tendo um raio caído numa ribeira onde brincavam algumas crianças.

A Banderona tem alguma diferença com outras festas assinaladas no Fogo. A sua figura principal é o “cordidjeru” (governador), que dirige e superintende todas as actividades da festa.

Nela participam cavaleiros, detentores de bandeiras (guardiões das bandeiras e da ordem, paz e harmonia), um juiz que preside, juntamente com o “cordidjeru”, que assegura a votação ou nomeação dos festeiros para a festa do ano seguinte, e um corpo de coladeiras integrado por homens e mulheres, acompanhados de “caxerus” (tamboreiros).

Outra figura da festa é o de “refugiado ou ladrão” que é uma espécie de “canisade” que durante a festa só aparece no dia da matança, no último sábado antes do almoço, com intenção de roubar os produtos como carne, mandioca e outros.

Inforpress/Fim

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