quarta-feira, 13 novembro 2019

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Casa das Bandeiras pretende assinalar os 100 anos de nascimento de Teixeira de Sousa reeditando alguns trabalhos

A Fundação Casa das Bandeiras, na ilha do Fogo, pretende assinalar, a 06 de Setembro, o centenário do nascimento do médico, escritor e antigo presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Henrique Teixeira de Sousa, avançou o seu administrador.

Segundo o administrador Henrique Pires, a Fundação Casa das Bandeiras, que é detentora de todo o espólio de Teixeira de Sousa, doado pelos familiares desta figura emblemática da ilha do Fogo e de Cabo Verde, constituído por centenas de documentos, incluindo alguns inéditos, quer assim assinar os 100 anos do seu nascimento.

Para melhor programação e promover uma maior divulgação das outras facetas de Teixeira de Sousa e que são pouco conhecidas, reeditando seus trabalhos científicos e demais intervenções públicas, a Casa das Bandeiras solicitou a participação da autarquia de São Filipe na formatação final do programa.

Igualmente a Fundação Casa das Bandeiras convida o presidente da Câmara de São Filipe a presidir à comissão de honra, assim como a indicação de um representante da autarquia para juntamente com os membros da comissão organizadora, constituída por Fausto do Rosário, Luís Pires, Paulo Pina, Mário Barbosa e representantes da delegação do Ministério da Educação e da escola secundária Dr. Teixeira de Sousa, produzir o programa.

O administrador da Fundação Casa das Bandeiras, Henrique Pires, disse que uma das actividades programadas é a reedição de alguns trabalhos do médico e escritor com mais de meio século, cuja tiragem na altura foi em número reduzido e pouco conhecido, mas de grande interesse e que vale a pena divulgá-los.

De entre as brochuras, a Casa das Bandeiras pensa reeditar “o problema alimentar em Cabo Verde” editado no “Cadernos Caboverdeanos de Cultura e Divulgação nº 1”, em 1954 pela Imprensa Nacional de Cabo Verde, “Alimentação e saúde nas ilhas de Cabo Verde” Praia 1957, documento produzido por Teixeira de Sousa na qualidade de médico-adjunto da missão permanente de estudo e combate de endemias de Cabo Verde e presidente da comissão provincial de nutrição de Cabo Verde.

Na lista de trabalhos que a fundação pretende reeditar no quadro do centenário do nascimento do médico e escritor consta “Bibliografia nutricional de Cabo Verde”, publicado em 1966 na Separata do jornal médico.

Segundo o administrador da Casa das Bandeiras, “se como escritor, Henrique Teixeira de Sousa é bastante conhecido já como médico, nutricionista e político é pouco conhecido”.

Nos seus espólios, alguns inéditos, constam temáticas sociológica, filosófica, jornalística, nutricionista e outros que não são muito divulgados e além da reedição dos trabalhos já mencionados, a Fundação Casa das Bandeiras, pretende retomar nos anos seguintes a sua redição e divulgação, sobretudo dos trabalhos inéditos.

Para Henrique Pires, o facto dos espólios terem sido entregues a esta instituição quando podia ser doado ao museu municipal, a Casa da Memória, Biblioteca Nacional ou ao Instituto de Investigação e Promoção Cultural (IPC) demonstra a responsabilidade que a Casa das Bandeiras tem na divulgação das obras desta figura da ilha, razão pela qual pretende assinalar o centenário do seu nascimento com uma vasta actividade ainda em fase de programação.

Por ocasião da comemoração da efeméride, a Fundação Casa das Bandeiras pretende trazer à ilha do Fogo o filho do médico e escritor que reside em Portugal, José João Henriques Teixeira de Sousa “Zelito”, que trará para a Casa das Bandeiras outros documentos/materiais de Henrique Teixeira de Sousa.

Henrique Teixeira de Sousa nasceu na localidade de Bernardo Gomes (São Filipe) a 06 de Setembro de 1919 e faleceu a 03 de Março de 2005 em Portugal, vítima de acidente.

Fez os estudos primários (Fogo) e liceais (S. Vicente) e em 1945 licenciou em medicina pela Universidade de Lisboa (Portugal) e diplomado com cursos do Instituto de Medicina Tropical e de Medicina Sanitária na Universidade do Porto.

Quadro de saúde foi colocado em Timor e em 1948 foi colocado na sua ilha, onde desempenhou a função de Delegado de Saúde, tendo construído a maternidade do hospital e efectuou o primeiro recenseamento e tratamento dos doentes de lepra que internou em local próprio, criando os alicerces da Gafaria, mais tarde Casa Betânia.

Em 1955/56 frequentou II curso de formação de médicos nutricionistas para África a sul do Saara, em Marselha, França, com estágio no hospital Bichat e no Instituto de Higiene de Paris.

Foi médico adjunto da missão permanente de estudo e combate de endemias de Cabo Verde e presidente da Comissão de Nutrição do arquipélago e os seus méritos foram reconhecidos a nível internacional e a Societé Scientifque d´Higiene Alimentaire de Paris fez dele seu membro titular.

De regresso a Cabo Verde, fixa-se na ilha de São Vicente tendo sido presidente da Câmara Municipal de 1959 a 1965.

Enquanto escritor, além de participar nas revistas e jornais da época, como Claridade e Boletim de Cabo Verde, Teixeira de Sousa foi autor de vários contos e romances, dos quais se destacam “Contra Mar e Vento” (conto 1972) e “Ilhéu de Contenda” (1978), esta última obra adaptada para o cinema pelo realizador Leão Lopes.

Publicou ainda “Capitão de mar e terra” (1984), “Xaguate” (1987), “Djunga” (1990), “Na ribeira de Deus” (1992), “Entre duas bandeiras” (1994), “Oh! Mar de Túrbidas Vagas” (2005), isto sem contar com diversos textos e ensaios publicados em diferentes revistas e jornais.

O seu nome foi associado à escola secundária de São Filipe.

Inforpress/Fim

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