21-06-2018

C Cultura

Comissão organizadora assume a bandeira para homenagear em 2019 o grupo de continuadores

Lisito Barbosa, filho de um dos continuadores da festa, em nome da comissão, disse que ser mordomo da festa do próximo ano é um acto com “grande simbolismo”, por representar um grupo de pessoas que está à frente do evento e que resolveu fazer uma homenagem ao grupo dos renovadores do qual faziam parte, entre outros,  Tchico Barbosa, Djodji Pires, Vivico.

Segundo recordou o festeiro, o grupo é constituído por pessoas da ilha que, em 1974, evitou que a bandeira fosse enterrada, facto que contribuiu para que se continue a festejar uma tradição centenária de forma ininterrupta, desde o seu desenterro em 1917.

O ano de 1974 foi o último em que a festa da bandeira foi celebrada nos Sobrados, tendo o emigrante nos Estados Unidos da América Roy Teixeira Júnior tomado a bandeira para festejar no ano seguinte, 1975, mas que por razões politicas, por pertencer à UDC e com a independência às portas, não pôde regressar à ilha para celebrar a festa e pediu ao Chico Barbosa que colocasse a bandeira na igreja.

Mas perante este cenário e a poucos dias das festas, esse grupo de pessoas residentes na ilha, donde se destacam Chico Barbosa, Vivico e Jota-Jota, todos falecidos, assumiram o compromisso de celebrar a bandeira, contando com apoio de outros entusiastas foguenses residentes na cidade da Praia, nomeadamente Jorge Rodrigues Pires “Djodji”, que mobilizou naquele ano o valor de 280 contos para a realização da festa.

É este grupo, chamado de renovadores, que a comissão organizadora das festas, constituída por familiares destes, quer que assuma como festeiro para o próximo ano, no sentido de homenagear essas pessoas.

Vale recordar que em 1975, a festa foi realizada na antiga instalações do Instituto, pela primeira vez num espaço que não fosse o Sobrado, e aberta a todos, mas devido a alguma invasão, obrigou que nos anos subsequentes a organização tivesse optado por convite , mas tendo sempre presentes pessoas dos mais variados estratos sociais.

Listo Barbosa, em nome do grupo, disse que, à semelhança dos anos anteriores, a Comissão, constituída por pessoas que estão muito ligadas à festa e com apego à ilha e à cidade, vai fazer tudo para que a festa seja melhor ainda.

Em 2017, na celebração do centenário (1917 -2017) do desenterro da bandeira de São Filipe, a maior festa tradicional de Cabo Verde, a organização homenageou os resgatadores da bandeira, nomeadamente os integrantes do grupo Sete Estrelas, que, em 1917, tiveram a ousadia de desafiar a lenda e “desenterrar” a bandeira.

É este grupo que,  para os festejos de 2019,  vai prestar homenagem àqueles que deram continuidade à maior festa tradicional e que tornaram-na do povo (mais popular).

A passagem da bandeira ocorreu na tarde de 01 de Maio, depois da realização das cavalhadas, no Alto de São Pedro, com a realização de corridas de argolinha, grinalda, perícia, entre outras.
De uma forma geral, a parte tradicional da bandeira decorreu na normalidade e com a passagem da bandeira ao novo festeiro fecha-se o ciclo deste ano.

Já a nível cultural, com as actividades promovidas pela edilidade para a última noite está programada a actuação da banda 7sóis, 7lua da Brava, Dário, Nho Nani, Nito, Zé Rui, cabendo a Beto Dias a responsabilidade para fechar a edição 2018 das festas do Dia do Município e da Bandeira de São Filipe.

JR/JMV

Inforpress/Fim

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