domingo, 25 setembro 2022

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A maior festa tradicional da bandeira da ilha, “Banderona”, que foi cancelada no ano passado devido a pandemia da covid-19, iniciou-se sábado, na comunidade de Campanas de Baixo, com abertura oficial e construção das barracas, informou a organização. Seg

A maior festa tradicional da bandeira da ilha, “Banderona”, que foi cancelada no ano passado devido a pandemia da covid-19, iniciou-se sábado, na comunidade de Campanas de Baixo, com abertura oficial e construção das barracas, informou a organização.

Segundo o membro da comissão de festa, Filipe Pereira, e de acordo com o cartaz da edição 2022 das festas da Banderona, publicado nas redes sociais, as festas vão decorrer até 28 de Fevereiro, com maior destaque aos fins de semanas.

No dia 05 de Fevereiro, além da abertura oficial e construção de barracas, foi promovido um almoço popular, pilão, actuação de Dj, do violinista Breka, assim como Nenelo & banda.

A nível musical destaca-se ainda a actuação, até o último dia, de artistas locais como Vávo & banda, Show de Pina, Fogo em Chama, sendo que para o último fim-de-semana está programada actuação de artistas e grupos mais consagrados como Dú Marthaz, Grace Évora, Dj Cash, Buguin Martins & banda e Ferro Gaita.

Almoço convívio com pessoas idosas e crianças de Campanas de Baixo, entrega de kits escolares, jantar com amigos da localidade de Campanas de Baixo, desfile de motas São Filipe/Campanas de Baixo, matança de animais fazem parte da programação da Banderona 2022, apesar da situação de contingência devido a pandemia de covid-19.

A festa São João Baptista, apelidada de “Banderona” por ser a festa tradicional da bandeira com maior duração celebrada em toda a ilha e a segunda que movimenta maior número de pessoas, depois da festa da bandeira de São Filipe, 01 de Maio, tem um carácter nacional e internacional e com deslocação de vários emigrantes e pessoas residentes noutras ilhas.

A festa da “Banderona” ou da Bandeira de São João Baptista surgiu há mais de dois séculos e conforme reza a lenda “na altura, as pessoas ouviam, no “assobiar” do vento, sons comparados com o toque de tambor e cantigas no ar, ao longo de uma semana”, seguidos de relâmpagos e trovões, tendo um raio caído numa ribeira onde brincavam algumas crianças.

A “Banderona” tem alguma diferença com outras festas assinaladas no Fogo. A sua figura principal é o “cordidjeru” (governador), que dirige e superintende todas as actividades da festa.

Nela participam cavaleiros, detentores de bandeiras (guardiões das bandeiras e da ordem, paz e harmonia), um juiz que preside e juntamente com o “cordidjeru”, assegura a votação ou nomeação dos festeiros para o ano seguinte, e um corpo de “coladeiras” integrado por homens e mulheres, acompanhados de “caxerus” ou tamboreiros.

Outra figura da festa é o de “refugiado ou ladrão” que é uma espécie de “canisade” que durante a festa só aparece no dia da matança, no último sábado antes do almoço, com intenção de roubar os produtos como carne, mandioca e outros.

Em 2021 foi a primeira vez que há memória que a festa da Banderona não se realizou na comunidade de Campanas de Baixo devido a pandemia da covid-19.

Inforpress/Fim

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