23-10-2018

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“Os doentes mentais estão mais bem servidos do que anteriormente” – Evandro Monteiro

Os doentes mentais estão actualmente mais bem servidos do que anteriormente porque dispõem de espaços próprios e são seguidos por uma psiquiatra e uma psicóloga, disse o director do hospital regional São Francisco de Assis, Evandro Monteiro.

Na sequência de denúncias nas redes sociais da manutenção de uma paciente de foro psiquiátrico juntamente com doentes de medicina, em entrevista a Inforpress, Evandro Monteiro disse que “são dois serviços separados e não misturados, no mesmo espaço”.

Indicou que há necessidade e há projecto privado, de ter outro espaço, porque a saúde mental é uma área delicada que requer melhor articulação e o engajamento de todos, sociedade civil, familiares, serviços sanitários e não uma responsabilidade exclusiva do hospital e dos responsáveis sanitários.

“Mas os doentes psiquiátricos actualmente estão melhores servidos que anteriormente. Antes não tínhamos especialistas e hoje temos uma psiquiatra, disponível 24 hora, e que faz serviços de urgência e ambulatorial, e uma psicóloga que presta serviços diários”, afirma Evandro Monteiro.

O cirurgião adiantou que neste momento o hospital dispõe de novos serviços de foro psiquiátrico, como a desintoxicação alcoólica e de drogas ditas menores, em articulação com as delegacias de saúde da região sanitária, incluindo os centros de saúde.

Na sua óptica, o serviço está muito bem organizado, apesar de admitir que o espaço físico possa não ser 100 por cento (%) ideal, sublinhando que o hospital tem dado o seu máximo com o que tem para cuidar dos doentes mentais.

Segundo o mesmo existe um projecto privado a ser implementado em articulação com hospital, deixando claro que o objectivo é fazer a separação total entre os dois serviços, sendo que por agora é necessária a boa articulação, observando que a compensação dos doentes é feita no serviço de urgência e quando estiver compensado é enviado para o serviço onde há também doentes de medicina interna, mas são dois segmentos separados.

O promotor do projecto, uma associação de caris religiosa, segundo Evandro Monteiro, já contactou a direcção do hospital no sentido de se criar um centro para internamento prolongado, com financiamento privado e onde o hospital iria comparticipar com apoio técnico e facilitar/ajudar na elaboração de projecto físico.

O hospital já estabeleceu contacto com um arquitecto para elaborar o projecto com o objectivo de apresentá-lo até final do ano à sociedade civil e a partir dai procurar financiamento, observando que é um projecto que espera ver concretizado, apesar de não depender do hospital.

“Internamente com o recrutamento de mais enfermeiros, iremos reforçar o serviço de saúde mental”, disse o director do hospital, que admite a existência de um risco potencial em manter os doentes mentais próximo dos demais, mas assegura que é mínimo, porque, explica, os transtornos de foro psiquiátrico são muito complexos e não há uma garantia de 100%, mas que há todo um percurso e com pessoal interno preparados para esta eventualidade.

O director do hospital regional São Francisco de Assis reconhece que há vários casos de pessoas com patologia psiquiátrica a nível da ilha e há um levantamento que está a ser seguido, apelando para a comparticipação dos familiares, da sociedade civil e de outras estruturas afins para ajudar o hospital a prestar um serviço melhor.

“Não vale a pena tratarmos os pacientes sem a co-responsabilidade dos familiares e da sociedade civil que não colabora”, disse o director do hospital, indicando que quando o hospital envia um paciente para o domicílio, os familiares têm a responsabilidade de levá-lo aos hospitais e as delegacias de saúde, e a sociedade civil tem de comparticipar e colaborar em todo esse processo.

“As doenças de foro psicológico e psiquiátrico são doenças crónicas e há um período de agudização e outro de estabilização e precisa da colaboração de todos”, disse sublinhando que os espaços onde os doentes estão é o melhor que o hospital dispõe desde que começou a tratar de doentes de foro psiquiátrico, inclusive do ponto de vista técnico e o risco de eventuais problemas ligados a coexistência, é mínima.

“O risco de uma agressão na rua ou fora do hospital é maior do que dentro do hospital onde estão sedados, tratados e com pessoais preparados para fazer contenção”, disse Evandro Monteiro, indicando que sempre que for necessário conta com a colaboração e ajuda dos serviços policiais.

Inforpress/Fim

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