17-11-2018

C Cultura

Ildo Lobo continua a ser uma das vozes mais brilhantes da música cabo-verdiana – Betú

O compositor Adalberto Silva “Betú” afirmou que Ildo Lobo é uma das vozes mais brilhantes que Cabo Verde teve o privilégio de conhecer e que a melhor homenagem que se pode fazer à sua memória é valorizando a morna.

Adalberto Silva “Betú” , que viu a maioria das suas composições a serem interpretadas por Ildo Lobo, fez estas declarações à Inforpress, no âmbito do aniversário de falecimento de Ildo Lobo, a 20 de Outubro de 2004.

No dia em que completa 14 anos de seu passamento, Betú disse que Ildo Lobo desapareceu fisicamente, mas que continua muito presente na vivência e no coração dos cabo-verdianos, reforçando neste sentido que a melhor forma de preservar a sua memória e a sua obra é valorizando, não só a morna, mas também os artistas e os criadores da música cabo-verdiana.

“Para mim, é como se o Ildo Lobo estivesse presente no nosso dia-a-dia porque, praticamente, todos os dias ouvimos a voz do Ildo nas rádios e é como se não tivesse morrido. Aliás, lembro-me na altura quando morreu, o Manuel d´Novas disse que o Ildo foi até a esquina fazer um recado e já volta”, lembrou.

Para Betú, Ildo interpretava o acto de cantar como uma missão e é por isso que, ajuntou, as suas mornas continuam a servir de forte inspiração para os cabo-verdianos, considerando neste sentido o Ildo Lobo como “cantador da música cabo-verdiana”.

Avaliando o nível de relacionamento com Ildo Lobo, Betú salientou que sempre foi de duas pessoas amigas que comungavam o gosto pela música e, particularmente, um relacionamento especial de um criador e um intérprete, que, na sua opinião, deixou marcas eternas na sua vida.

Considerou neste sentido o Ildo Lobo como o maior interprete das suas músicas, não só porque foi o primeiro cantor que interpretou as suas composições , como também, destacou, foi através dele que hoje, ele Betú, é conhecido como compositor.

“Tenho uma dívida para com ele, porque se calhar se não fosse ele hoje não seria tão conhecido como compositor e as minhas músicas não teriam tido tanta aceitação junto do público”, asseverou, defendendo que não basta haver uma música com qualidade , é preciso também um interprete que, no seu entender, consiga acrescentar valor na interpretação que faz da música.

Na opinião de Betú, das mornas interpretadas por Ildo Lobo, “Manú” e “Cusas di coraçon” são as composições que tiveram maior repercussão na voz de Ildo Lobo, salientando que ele deu vida à morna, conquistando crianças e jovens que se revelaram como novos amantes da morna.

“Tive o privilégio de ser interpretado pelo Ildo, era adolescente quando ele gravou as minhas músicas pela primeira vez, ainda nos Tubarões e isso desde inicio deu uma responsabilidade acrescida em termos da qualidade das minhas composições. E para mim continuará sempre presente”, realçou, concluindo que é preciso haver uma valorização e preservação permanente da sua memória, pelo contributo que deu na promoção e internacionalização da morna e da cultura cabo-verdiana.

Ildo Lobo nasceu a 25 de Novembro de 1953, na localidade de Pedra de Lume, ilha do Sal.

O cantor ficou conhecido pela sua voz versátil e melódica, a sua poderosa presença em palco e a forma singular como cantava mornas, coladeiras e funaná, que fizeram dele um dos maiores intérpretes de sempre de Cabo Verde

O conhecido intérprete cabo-verdiano foi uma das figuras de proa e vocalista dos Tubarões, grupo que marcou a música de Cabo Verde a partir da época da independência, a 5 de Julho de 1975, até à década 1990.

Com os Tubarões, gravou oito discos, num intervalo de 18 anos – Pepe Lopi (1976), Tchon di Morgado (1976), Djonsinho Cabral (1979), Tabanca (1980), Tema para dois (1982), Os Tubarões (1990), Os Tubarões ao Vivo (1993) e Porton d’ nôs ilha (1994).

Ildo deu voz a compositores como Manuel d’Novas e Renato Cardoso e interpretou grandes mornas que marcaram a sociedade cabo-verdiana,
como “5 de Julho”, “Cabral Ká Morri” e “Porton d’nôs Ilha”.

Fez ainda carreira a solo, tendo gravado três discos: Nôs Morna (1996), Intelectual (2001) e Incondicional (2004), que foi publicado a título póstumo.

Ildo Lobo morreu a 20 de Outubro de 2004, na cidade da Praia, na sequência de uma queda, seguida de ataque cardíaco.

Inforpress/Fim

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